{"id":907,"date":"2022-10-13T23:33:48","date_gmt":"2022-10-14T02:33:48","guid":{"rendered":"https:\/\/radio1.webunitystudio.site\/por-que-eua-estao-observando-de-perto-eleicao-do-brasil-bbc-news-brasil\/"},"modified":"2022-10-13T23:33:48","modified_gmt":"2022-10-14T02:33:48","slug":"por-que-eua-estao-observando-de-perto-eleicao-do-brasil-bbc-news-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radio.radioempresabrasil.com.br\/site\/por-que-eua-estao-observando-de-perto-eleicao-do-brasil-bbc-news-brasil\/","title":{"rendered":"Por que EUA est\u00e3o observando de perto elei\u00e7\u00e3o do Brasil &#8211; BBC News Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"bbc-1gnhmg2 ed7bp6y0\">Cr\u00e9dito, <\/span><span lang=\"en-GB\">Reuters<\/span><br \/>Apoiadora de Bolsonaro em manifesta\u00e7\u00e3o<br \/><b>N\u00e3o h\u00e1 muitas coisas em que ferrenhos opositores em Washington &#8211; como o estrategista de Donald Trump Steve Bannon e o senador socialista Bernie Sanders &#8211; consigam concordar. Mas ambos, e muitos outros pol\u00edticos e agentes p\u00fablicos, reconhecem de modo un\u00e2nime que h\u00e1 muito em jogo quando os brasileiros forem \u00e0s urnas, no pr\u00f3ximo dia 2.  <\/b><br \/>&quot;Esta ser\u00e1 uma das elei\u00e7\u00f5es mais intensas e dram\u00e1ticas do s\u00e9culo 21&quot;, afirmou Steve Bannon \u00e0 BBC News Brasil. <br \/>&quot;O destino da democracia do Brasil e de sua rela\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos ser\u00e1 decidido nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es&quot;, declarou o senador Patrick Leahy, um dos cinco senadores aliados de Sanders a propor no Congresso do pa\u00eds uma resolu\u00e7\u00e3o para &quot;apoiar as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas brasileiras&quot;.<br \/>E embora autoridades brasileiras nos EUA se esquivem de comentar ou digam que o pleito \u00e9 um &quot;n\u00e3o assunto&quot; na rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses, em uma recente recep\u00e7\u00e3o na capital americana em comemora\u00e7\u00e3o aos 200 anos da independ\u00eancia do Brasil esse era justamente o pano de fundo da maior parte das conversas. <br \/><span class=\"bbc-1gnhmg2 ed7bp6y0\">Cr\u00e9dito, <\/span><span lang=\"en-GB\">Getty Images<\/span><br \/>Lula teria semelhan\u00e7as com Biden e Bolsonaro, com Trump<br \/>Os destinos das duas maiores democracias das Am\u00e9ricas parecem ter se entrela\u00e7ado nos \u00faltimos tempos. EUA e Brasil enfrentam desafios semelhantes e compartilham interesses comuns. Ambos lideram o ranking de pa\u00edses com maior n\u00famero absoluto de mortos por covid-19 e enfrentam n\u00edveis de infla\u00e7\u00e3o acima de 8%.<br \/>Fim do Mat\u00e9rias recomendadas<br \/>Os dois pa\u00edses tamb\u00e9m produzem commodities semelhantes &#8211; e por isso competem nos mercados internacionais. Enquanto o Brasil \u00e9 o maior produtor de soja e laranja, seguido pelos EUA, respectivamente na segunda e quarta posi\u00e7\u00f5es, os americanos est\u00e3o \u00e0 frente na produ\u00e7\u00e3o de milho, carne bovina, peru e frango, com o Brasil em segundo ou terceiro.<br \/>Mas enquanto competem com o Brasil, os EUA veem o pa\u00eds se tornar o principal destino de investimentos da China em 2021, um golpe consider\u00e1vel para os americanos em sua zona de influ\u00eancia mais \u00f3bvia, a Am\u00e9rica Latina, na disputa com ares de Guerra Fria entre Washington e Pequim.<br \/>Por tudo isso, era de se esperar que o interesse sobre quem deve comandar o Brasil no ano que vem fosse alto. A novidade, no entanto, est\u00e1 na quantidade de manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sobre o assunto de altos funcion\u00e1rios ou representantes dos EUA meses antes da vota\u00e7\u00e3o.<br \/>&quot;H\u00e1 um interesse maior e isso se deve \u00e0 amea\u00e7a de ruptura democr\u00e1tica&quot;, diz Carlos Gustavo Poggio, especialista em rela\u00e7\u00f5es Brasil-EUA e professor do Berea College, no Kentucky.<br \/>Desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, argumenta ele, os pleitos foram pac\u00edficos, sem sobressaltos. &quot;Agora temos um presidente que n\u00e3o deixa muito claro se vai obedecer aos resultados das urnas e que tem uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com os militares&quot;, diz Poggio.<br \/><span class=\"bbc-1gnhmg2 ed7bp6y0\">Cr\u00e9dito, <\/span><span lang=\"en-GB\">Getty Images<\/span><br \/>Banners da campanha de Lula em Bras\u00edlia<br \/>Adapta\u00e7\u00e3o de premiado podcast da BBC \u2018Things Fell Apart\u2019, de Jon Ronson.<br \/>Epis\u00f3dios<br \/>Fim do Podcast<br \/>Desde que venceu a elei\u00e7\u00e3o em 2018, Bolsonaro tem repetido acusa\u00e7\u00f5es de fraude eleitoral sem nenhuma evid\u00eancia. O Brasil tem urnas eletr\u00f4nicas desde 1996 &#8211; e nenhuma fraude sistem\u00e1tica foi registrada at\u00e9 hoje.<br \/>Durante uma recente visita ao Reino Unido para assistir ao funeral da rainha Elizabeth, Bolsonaro disse que, se receber menos de 60% dos votos, &quot;aconteceu algo de anormal no TSE&quot;, o Tribunal Superior Eleitoral. Nas pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto, no entanto, ele nunca ultrapassou 35% e est\u00e1 cerca de 10 pontos percentuais atr\u00e1s de Lula.<br \/>Embora tenha dito pontualmente que, se perder, &quot;vai passar a faixa e se recolher&quot;, Bolsonaro lan\u00e7ou sistematicamente suspeitas ao processo eleitoral, mesmo tendo admitido n\u00e3o ter provas do que diz, e sobre sua pr\u00f3pria rea\u00e7\u00e3o diante dos resultados. <br \/>Para muitas autoridades americanas, seu posicionamento ecoa o de Donald Trump, que lan\u00e7ou falsas alega\u00e7\u00f5es de fraude sobre a democracia americana antes e depois de sua derrota para Joe Biden.<br \/>&quot;Brasil e Estados Unidos s\u00e3o espelhos um do outro&quot;, diz o ex-vice-secret\u00e1rio de Estado dos EUA Thomas Shannon, que tamb\u00e9m atuou como embaixador dos EUA no Brasil no in\u00edcio dos anos 2010. &quot;O que acontece com uma dessas duas democracias acontece com a outra&quot;, ele completa.<br \/>Em um discurso recente \u00e0 na\u00e7\u00e3o, Biden foi claro ao dizer que acreditava que o movimento de Trump, o Maga (Make America Great Again ou Torne a Am\u00e9rica Grande de Novo, na tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas) era uma amea\u00e7a \u00e0 democracia. <br \/><span class=\"bbc-1gnhmg2 ed7bp6y0\">Cr\u00e9dito, <\/span><span lang=\"en-GB\">Reuters<\/span><br \/>Apoiadores de Trump invadem o Capit\u00f3lio em 6 de janeiro de 2021<br \/>H\u00e1 quem veja no forte interesse dos EUA nessas elei\u00e7\u00f5es no Brasil uma forma de os americanos confrontarem seus pr\u00f3prios fantasmas de 6 de janeiro de 2021, quando os apoiadores de Trump invadiram o Capit\u00f3lio dos EUA enquanto a vit\u00f3ria eleitoral de Biden estava sendo certificada. O saldo foi de cinco mortos e de cenas que trincaram a auto-imagem do pa\u00eds. <br \/>O historiador da Brown University, James Green, que estuda Brasil h\u00e1 mais de 40 anos, diz que foi a primeira vez que ele viu o termo pejorativo &quot;Rep\u00fablica de Bananas&quot;, que pessoas nos EUA costumavam reservar aos vizinhos com processos pol\u00edticos ca\u00f3ticos na Am\u00e9rica Latina, sendo aplicado por americanos ao seu pr\u00f3prio pa\u00eds. <br \/>Em julho, diante de uma plateia americana, o ent\u00e3o presidente do TSE, Edson Fachin, afirmou em Washington que o Brasil corria o risco n\u00e3o s\u00f3 de repetir o 6 de janeiro, mas de vivenciar algo ainda &quot;mais grave&quot;.<br \/>Diante de tudo isso, os americanos come\u00e7aram a se mover mais intensamente desde o fim do primeiro semestre. Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil, em maio, a subsecret\u00e1ria de Estado para Assuntos Pol\u00edticos, Victoria Nuland, afirmou que &quot;o que precisa acontecer no Brasil s\u00e3o elei\u00e7\u00f5es livres e justas, usando as estruturas institucionais que serviram bem a voc\u00eas (brasileiros) no passado&quot;. <br \/>Pouco antes, uma conversa entre o chefe da CIA, William Burns, e  ministros de Bolsonaro foi vazada. No di\u00e1logo, Burns pedia ao presidente brasileiro que parasse de lan\u00e7ar d\u00favidas sobre as elei\u00e7\u00f5es. Bolsonaro negou que a conversa tivesse ocorrido.<br \/>Os pol\u00edticos tamb\u00e9m entraram em campo. O senador Leahy juntou-se a Bernie Sanders e outros quatro senadores democratas para apresentar uma resolu\u00e7\u00e3o de apoio \u00e0s institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas no Brasil que recomenda, entre outras coisas, que os EUA reconhe\u00e7am o vencedor do pleito brasileiro imediatamente ap\u00f3s o an\u00fancio do resultado pelo TSE, para desencorajar qualquer possibilidade de contesta\u00e7\u00e3o. <br \/>E na C\u00e2mara dos Representantes, os democratas tentaram &#8211; e n\u00e3o conseguiram &#8211; aprovar uma medida que suspenderia a ajuda militar ao Brasil se as For\u00e7as Armadas abandonassem sua neutralidade pol\u00edtica.<br \/>&quot;\u00c0s vezes a mensagem \u00e9 formal, outras vezes \u00e9 vazamento, mas tudo est\u00e1 tentando transmitir o pensamento de Washington&quot;, diz Nick Zimmerman, consultor s\u00eanior do Brazil Institute e ex-assessor de pol\u00edtica externa da Casa Branca no governo Barack Obama.<br \/><span class=\"bbc-1gnhmg2 ed7bp6y0\">Cr\u00e9dito, <\/span><span lang=\"en-GB\">Getty Images<\/span><br \/>Enquanto o Brasil acelerou a devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, a pauta do aquecimento global se tornou priorit\u00e1ria nos EUA e na Europa Ocidental<br \/>Para Zimmermann, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a situa\u00e7\u00e3o no Brasil, mas uma quest\u00e3o mais ampla de pol\u00edtica internacional dos Democratas e de parte dos Republicanos sobre as amea\u00e7as globais \u00e0 democracia. <br \/>&quot;A ordem democr\u00e1tica multilateral constru\u00edda ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial est\u00e1 em risco de uma forma que jamais esteve nos \u00faltimos 80 anos. E isso \u00e9 algo que os Estados Unidos v\u00e3o lutar para defender&quot;, diz Zimmerman.<br \/>Questionar o processo eleitoral n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica semelhan\u00e7a entre Trump e Bolsonaro, que tamb\u00e9m \u00e9 conhecido fora do Brasil como &quot;Trump dos Tr\u00f3picos&quot;.<br \/>Ambos fizeram campanha como outsiders, prometendo lutar contra as elites pol\u00edticas, mesmo que Bolsonaro j\u00e1 fosse um veterano no Congresso Nacional. <br \/>Ambos incentivaram o nacionalismo e a posse de armas, e denunciaram os chamados &quot;globalismo&quot; e &quot;ideologia de g\u00eanero&quot;. Ambos dominaram a comunica\u00e7\u00e3o direta com o eleitor via redes sociais.<br \/><span class=\"bbc-1gnhmg2 ed7bp6y0\">Cr\u00e9dito, <\/span><span lang=\"en-GB\">Reuters<\/span><br \/>Bannon compara o bolsonarismo ao movimento Maga, de Donald Trump<br \/>&quot;Bolsonaro \u00e9 um grande her\u00f3i para todos n\u00f3s&quot;, diz Bannon, que v\u00ea o Brasil como parte fundamental de um movimento populista de direita global. <br \/>&quot;Ele est\u00e1 no n\u00edvel do [primeiro-ministro h\u00fangaro conservador e autorit\u00e1rio] Viktor Orb\u00e1n como algu\u00e9m que defende a soberania e construiu um movimento popular de bases. Ele tem evang\u00e9licos, ele tem pessoas da classe trabalhadora. Se voc\u00ea olhar para o bolsonarismo do Brasil, \u00e9 muito parecido com o movimento Maga&quot;, diz Steve Bannon.<br \/>Do outro lado dessa disputa eleitoral, est\u00e1 Lula, cuja trajet\u00f3ria os americanos comparam com a do pr\u00f3prio Biden. <br \/>Ambos vieram de origens humildes, de fam\u00edlias de trabalhadores bra\u00e7ais, e se tornaram refer\u00eancias nacionais na pol\u00edtica, ocupando alt\u00edssimos postos antes de voltar \u00e0s urnas: Biden como vice-presidente de Obama, Lula como presidente. <br \/>Ambos sempre tiveram na negocia\u00e7\u00e3o seu principal ativo e costuraram coaliz\u00f5es amplas para garantir que os dois l\u00edderes populistas de seus pa\u00edses tivessem apenas um mandato. <br \/>No caso de Lula, h\u00e1 8 ex-candidatos a presidente entre seus aliados, que incluem do l\u00edder do movimento dos trabalhadores sem teto, Guilherme Boulos, ao ex-presidente do Bank of Boston, Henrique Meirelles. <br \/>Do lado americano, Biden foi capaz de unir desde o socialista Bernie Sanders a alguns republicanos, como o ex-secret\u00e1rio de Estado de George Bush, Colin Powell, falecido em 2021. <br \/>Al\u00e9m da intrigante semelhan\u00e7a entre os dois principais candidatos l\u00e1 e c\u00e1 e da possibilidade de uma elei\u00e7\u00e3o contestada, h\u00e1 outra raz\u00e3o pela qual o Brasil est\u00e1 na agenda dos pol\u00edticos americanos e europeus.<br \/>Nos \u00faltimos anos, o Brasil acelerou o processo de desmatamento da Amaz\u00f4nia, a maior floresta tropical do mundo. O governo Bolsonaro reduziu o or\u00e7amento para conter a devasta\u00e7\u00e3o do bioma. No ano passado, seu ent\u00e3o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi investigado e acusado pelos EUA de estar envolvido no tr\u00e1fico ilegal de madeira, o que ele nega. Ao mesmo tempo, o tema foi se firmando como prioridade tanto no atual governo dos Estados Unidos como na Europa Ocidental.<br \/>Para Shannon, ficou claro ao mundo que decis\u00f5es tomadas no Pal\u00e1cio do Planalto v\u00e3o impactar a vida de bilh\u00f5es de pessoas no Planeta.  <br \/>Durante sua campanha eleitoral de 2020, Biden sugeriu que os americanos liderassem a cria\u00e7\u00e3o de um fundo internacional de bilh\u00f5es de d\u00f3lares que ajudaria o Brasil a pagar pela preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1rea florestal. <br \/>A promessa, no entanto, nunca saiu do papel. O principal motivo, segundo pessoas a par do assunto na administra\u00e7\u00e3o, foi a falta de confian\u00e7a de que o governo Bolsonaro cumpriria as metas firmadas. <br \/>Bolsonaro afirma que o Brasil \u00e9 refer\u00eancia na preserva\u00e7\u00e3o ambiental e que as pol\u00edticas adotadas para a regi\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de soberania nacional e de desenvolvimento econ\u00f4mico.<br \/>Lula tem falado muito sobre sua inten\u00e7\u00e3o de proteger a Amaz\u00f4nia e conseguiu atrair o apoio de Marina Silva, ambientalista internacionalmente respeitada e sua ex-ministra do Meio Ambiente por cinco anos. <br \/>Marina, no entanto, deixou de ser ministra de Lula denunciando falta de prioridade da agenda verde no segundo mandato do petista e, tanto Lula quanto sua sucessora, Dilma Rousseff, levaram a cabo a constru\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de hidrel\u00e9tricas no meio da Amaz\u00f4nia, o que causou s\u00e9rios danos \u00e0 floresta e sua popula\u00e7\u00e3o nativa.<br \/><span class=\"bbc-1gnhmg2 ed7bp6y0\">Cr\u00e9dito, <\/span><span lang=\"en-GB\">EPA<\/span><br \/>Biden chegou a propor cria\u00e7\u00e3o de fundo internacional pr\u00f3-Amaz\u00f4nia durante sua campanha em 2020<br \/>Se a nova postura mais verde de Lula agrada aos Estados Unidos, h\u00e1 muito mais insatisfa\u00e7\u00e3o com sua rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com os regimes de Cuba, Nicar\u00e1gua e Venezuela &#8211; o que Lula tem tentado suavizar com declara\u00e7\u00f5es sobre a necessidade de altern\u00e2ncia de poder nesses pa\u00edses. <br \/>Lula tamb\u00e9m foi um grande defensor do BRICS, bloco formado por \u00cdndia, R\u00fassia, China, \u00c1frica do Sul e Brasil, que alguns viam como um desafio ao poder ocidental.<br \/>Em contraste, sob Bolsonaro em 2019, pela primeira vez na hist\u00f3ria, o Brasil votou a favor do embargo dos EUA a Cuba, junto com os pr\u00f3prios EUA e Israel, e contra 187 outros pa\u00edses. <br \/>Diante de Biden, Bolsonaro teria lembrado que ele funciona como um escudo contra o que chama de &quot;dissemina\u00e7\u00e3o do comunismo&quot; na Am\u00e9rica Latina.<br \/>Ainda assim, mesmo sob protestos dos americanos, o presidente brasileiro visitou o presidente Vladimir Putin em Moscou em 2022, apenas duas semanas antes do in\u00edcio da guerra na Ucr\u00e2nia.<br \/>Para Shannon, independentemente de quem ven\u00e7a a elei\u00e7\u00e3o, o Brasil ser\u00e1 um grande jogador internacional, com quem os EUA precisam trabalhar, sem pretens\u00f5es de dominar.<br \/>&quot;A diferen\u00e7a entre o Brasil e os EUA \u00e9 que os EUA s\u00e3o uma superpot\u00eancia global e eles sabem disso&quot;, diz ele. &quot;O Brasil \u00e9 uma superpot\u00eancia e ainda n\u00e3o descobriu.&quot;<br \/><i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">&#8211; Este texto foi publicado originalmente em <\/i><a href=\"\/portuguese\/brasil-63003434\" class=\"bbc-n8oauk e1p3sufg0\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-63003434<\/a><br \/><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b><a href=\"http:\/\/telegram.me\/bbcbrasil\" aria-label=\"Inscreva-se no canal, externo\" class=\"bbc-n8oauk e1p3sufg0\">Inscreva-se no canal<\/a><b>.<\/b><br \/><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCthbIFAxbXTTQEC7EcQvP1Q\" aria-label=\"YouTube, externo\" class=\"bbc-n8oauk e1p3sufg0\">YouTube<\/a><b>? Inscreva-se no nosso canal! <\/b><br \/>Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil, ide\u00f3logo da direita radical diz que Bolsonaro n\u00e3o tem o apoio esperado dos militares e que n\u00e3o acredita que Brasil ter\u00e1 epis\u00f3dio parecido com a invas\u00e3o do Congresso dos EUA.<br \/><span lang=\"en-GB\">\u00a9<!-- --> <\/span>2022 BBC. A BBC n\u00e3o se responsabiliza pelo conte\u00fado de sites externos.<!-- --> <a href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/editorialguidelines\/guidance\/feeds-and-links\" class=\"bbc-1ts3h87 e5ztwxl0\">Leia sobre nossa pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a links externos.<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-63003434\">source<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cr\u00e9dito, ReutersApoiadora de Bolsonaro em manifesta\u00e7\u00e3oN\u00e3o h\u00e1 muitas coisas em que ferrenhos opositores em Washington &#8211; como o estrategista de Donald Trump Steve Bannon e o senador socialista Bernie Sanders &#8211; consigam concordar. 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